Reestruturação – Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas (RERE) – Parte 1

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Reestruturação – Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas (RERE) – Parte 1

Com o aproximar do fim das moratórias formais e informais, e outros apoios concedidos pelos governos dos diferentes Estados a nível global, prevê-se um cenário de sérias dificuldades económicas para empresas de alguns setores.

As políticas atuais irão inevitavelmente deixar partes do sector empresarial com encargos de dívida ainda maiores. Estas atrasarão a recuperação, as empresas em dificuldades tenderão a implementar reduções de mão-de-obra, a vender ativos, a reduzir investimentos e emprego, relutantes em acumular novo capital através de endividamento. Além disso, os bancos e outros credores presos a financiamentos de alto risco podem restringir os empréstimos a empresas viáveis e direcioná-los mal para “empresas zombies”. Se uma empresa for afetada, os seus clientes, fornecedores e funcionários serão também atingidos por essa cadeia. Tudo isto pode transformar um choque económico temporário numa crise macroeconómica global de médio/longo prazo. Uma lição política das grandes crises financeiras no mundo desenvolvido, começando com o Japão no início dos anos 90, é que os efeitos da dívida das empresas são múltiplos e nefastos.

Para gerir as tensões da dívida empresarial que se aproximam e tendo em mente a provável situação precária das finanças soberanas, vemos uma oportunidade para implementar de forma prática e eficiente o Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas (RERE).

É um fato que os sistemas europeus de tratamento da insolvência em tribunal não são bons para proteger empresas viáveis com estruturas de capital insustentáveis. As empresas são muitas vezes liquidadas, gerando maus retornos para os credores e os processos são lentos. Estes processos ineficientes em tribunal atrasam o desenvolvimento do mercado de crédito mesmo em tempos favoráveis. Numa recessão ou crise, atrasa a devolução de ativos produtivos à economia e pode destruir negócios. Quaisquer reformas que possam simplificar e acelerar os processos nos tribunais devem ser consideradas e no nosso entendimento o RERE é um desses mecanismos, uma vez que pode ser um processo excecionalmente rápido de forma a ter impacto em desenvolvimentos a curto prazo.

Contudo antes de qualquer processo deverá existir uma reflexão sobre onde começar um processo de reestruturação no atual contexto económico:

  • Redefinir as métricas de gestão agregando ao custo a agilidade na resposta às necessidades dos clientes e impactos ao nível da sustentabilidade.
  • Compreender a exposição a todos os stakeholders, analisando um conjunto de indicadores que permitam ter uma visão do impacto no negócio consoante a importância na cadeia de valor da empresa que representa cada stakeholder.
  • Identificar os investimentos relativos à produção ou prestação de serviços que a empresa não controla e repensa a cadeia de abastecimento.
  • Esperar o melhor e estar preparado para o pior modelizando diferentes cenários de partida e evolução com base nos pontos acima expostos.
  • Focar nos aspetos que requerem açoes imediatas, sem colocar em causa a continuidade das operações e os compromissos assumidos principalmente com os clientes.

 

A equipa de M&A e Reestruturação da HM Consultores, está disponível para esclarecer qualquer dúvida e colocar ao seu dispor toda a experiência da nossa equipa.

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